
O Culto a São Bento, em Rio Caldo, teve origem por influência dos Monges de Santa Maria de Bouro. Segundo a Tradição a ermida primitiva possuía um alpendre, como a maioria das capelas do alto dos montes e mantinha sempre as portas abertas, para servir de abrigo a quem passava. Resultou daí a designação de São Bento da Porta Aberta.
Os Painéis de Azulejo
Os painéis de Azulejo do santuário, foram pintados por Querubim Lapa, e retratam a vida de São Bento.
No primeiro podemos ver o monge Romão a entregar comida a S. Bento, que durante 3 anos permaneceu isolado numa gruta, no Monte Subiaco, a 60Km. de Roma, em oração e meditação.

O segundo painel revela-nos a forma como S. Bento ultrapassa as tentações através do sacrifício ("lançou-se nú no meio de um matagal de espinhos") e da oração. Esta faz parte essencial da vida dos monges e da "regra de S. Bento".

O painel seguinte narra o episódio da foice, perdida no lago, e que foi recuperada por S. Bento: mergulhou o cabo da foice esta foi ao seu encontro, podendo assim, o monge continuar a trabalhar. O trabalho é um dos componentes da regra beneditina, a que se alude no lado direito deste painel.
O quarto painel apresenta 2 episódios da vida do Santo. O primeiro, o episódio do pão envenenado e do corvo (Ver "O Santo") e o segundo relacionado com a história da pedra que era impossível remover do local onde se encontrava (os monges atribuíram este facto á presença do demónio). Só com a intervenção de S. Bento, que lançou a sua bênção sobre ela foi possível concretizar a sua remoção.
No painel seguinte está representado o encontro entre Tótila e S. Bento. Tótila, rei do Ostrogodos, que tomou e saqueou Roma em 547, tentou enganar o Santo, ordenando a um seu oficial que vestisse as suas roupas e se encontrasse com S. Bento, como se fosse o próprio rei. Mas foi imediatamente reconhecido e voltou para contar a Tótila o que tinha sucedido.
O sexto painel lembra o aparecimento sem se saber como, de duzentas medidas de farinha em sacas, à porta do Convento, quando a região da Campânia sofria uma grande escassez de alimentos e os frades passavam privações na sua alimentação. Do lado direito do painel aparece uma referência ao célebre Mosteiro de Einsiedeln, na Suiça, grande centro cultura e de grande importância na expansão do espírito beneditino.
A revelação dos planos para a construção do mosteiro de Terracina está retratada no painel seguinte. S. Bento envia frades para esta cidade com a finalidade de construírem um mosteiro e assegura-lhes que ele próprio lhes dará todas as informações necessárias. De facto, através de um sonho são revelados todos os planos de construção. O lado direito apresenta a "Regra", onde se descrevem as acções e procedimentos dos monges e cuja divisa é "Ora et Labora", Reza e Trabalha.
O oitavo painel apresenta o último encontro de S. Bento com a sua irmã, Santa Escolástica, durante o qual se verificou o milagre da tempestade. Aos pedidos da irmã, para que este encontro se prolongasse, S. Bento reagiu negativamente. Sucedeu, porém, uma violenta tempestade, que impediu que o Santo regressasse ao Convento e deixasse a irmã. O Lado Direito representa a acção evangelizadora no Brasil.

O quadro que se apresenta no painel seguinte, reflecte a visão protagonizada por S. Bento, quando, à noite, estando à sua janela, viu o mundo inteiro como que recolhido num único raio de luz e a alma do bispo de Cápua, Germano, ser conduzida por um anjo, em direcção ao paraíso. Referência, no lado direito, para Santa Cecília, padroeira da música e a Abadia beneditina de Solesmes, onde se desenvolveu o canto gregoriano e cuja biblioteca possuía extraordinárias colecções de manuscritos musicais.
O último painel refere a morte de S. Bento, anunciada antecipadamente, pelo próprio, aos seus discípulos. A morte não é o fim, mas o inicio da acção evangelizadora. Actualmente, S. Bento é designado como o patriarca do Ocidente e o "Pai da Europa".

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